45. VIDA DE ANTÔNIA - PARTE 14: TCHISSOLA - 14.7. O AMOR

 

O AMOR

 

 


1.    O ATENTADO  





Mas ouviu-se, de súbito, um ruído de galope,
e as duas moças correram a se esconder no bosque,
e viram passar um cavaleiro em carreira desabrida,
um tipo mal-encarado, com sangue nas mãos,
que desapareceu rapidamente além da curva,
e fez-se um pesado silêncio, e Eyelo deu um grito
de mau pressentimento, e erguendo-se correu
na direção de onde o cavaleiro tinha vindo,
 
e depois de muito caminhar, com passos rápidos,
deparou-se com a cena que mais temia, ao ver
o Padre Pio estendido sobre um barranco, coberto
de sangue e feridas, como morto, e correu para ele,
mas viu que vinha alguém e se escondeu numa moita,
e percebeu que era o Padre Tadeu, ajudante do bispo,
lentamente caminhando, e sentiu o impulso de ir
até ele, mas se conteve, e percebeu, com horror,
que Tadeu aproximou-se de Pio, examinando-o,
 
como a certificar-se de que havia morrido, e buscou
entre suas coisas, a procurar algo que não achou,
e assim, dando de ombros, continuou seu caminho,
e Eyelo teve ganas de saltar sobre ele com raiva,
mas outra vez teve que se encolher, pois mais gente
vinha vindo, e ela reconheceu alguns figurões da aldeia,
que também se detiveram junto ao corpo de Pio,
e o revistaram, e não achando nada, deram-lhe chutes
para ver se se movia, e logo desistiram de procurar,
e voltaram pelo mesmo caminho, e então Eyelo aguardou,
 
para ver se mais alguém viria, com o coração disparado
e a respiração contida, e ao certificar-se de que não havia
mais ninguém interessado, correu até Pio, e atirou-se
sobre ele, colando o ouvido ao seu peito, até sentir
o coração batendo muito fraco, e Eyelo chorou alto
e convulsivamente, dizendo, “Passarinho! Passarinho!
O que fizeram a ti, meu Passarinho?”, e banhava-o
 de lágrimas, e logo chegou Tchissola, e as duas
 
seguraram Pio e o sentaram, e então Eyelo viu que além
de espancá-lo e esfaqueá-lo quase até a morte, haviam
lhe furado os olhos, queimando-os com ferro em brasa,
e ela lançou um grito, “Malditos!”, e beijando a face
inanimada de Pio, falava, “Meu amor, meu amor,
eu juro que irei até o inferno para perseguir os demônios
que lhe fizeram isso!”, mas Pio parecia despertar lentamente,
gemendo entre dores mil, não conseguia mover-se, e as duas
improvisaram uma padiola feita de galhos, e nela o puseram
 
e a arrastaram pelo mato até o córrego, onde banharam Pio,
e Eyelo despiu-o de seus trapos, e lavou-lhe as feridas,
e nelas derramaram cachaça, para desinfetar as chagas
e passaram banha de porco nas ulcerações para preservar
os tecidos, e Eyelo examinou cada uma com cuidado,
e lavou-lhe tanto quanto pôde os olhos lacerados,
beijando-os com carinho, como se sua saliva curasse
o martírio, como se seu amor pudesse devolver a visão
a Pio, que lentamente murmurava qualquer coisa,
e então, aproximando o ouvido, ela ouviu-o dizer, quase
num suspiro, “Como você é bela, minha amada,
 
como você é bela!, são pombas seus olhos
escondidos sob o véu. Seu cabelo, um rebanho
de cabras ondulando nas encostas de Galaad,
seus dentes um rebanho tosquiado subindo
após o banho, cada ovelha com seus gêmeos,
nenhuma delas sem cria, seus lábios são fita
vermelha, sua fala melodiosa, metades de romã
são suas faces mergulhadas sob o véu[1]”, e Eyelo,
 
não se contendo, respondeu, “Já despi a túnica,
e vou vesti-la de novo? Já lavei meus pés, e vou sujá-los
de novo?  Meu amado põe a mão pela fenda da porta:
as entranhas me estremecem, minha alma, ao ouvi-lo,
se esvai, ponho-me de pé para abrir ao meu amado:
minhas mãos gotejam mirra, meus dedos são mirra
escorrendo na maçaneta da fechadura, abro para
o meu amado, mas o meu amado se foi, procuro
e não encontro, chamo, e não me responde...[2]”, e,
abraçando-se a ele, despiu-se ela também e secou
o corpo de Pio, cobrindo-o com seu vestido, e deitando-se
delicadamente ao seu lado, enlaçou-o com os braços
e aqueceu-o com a cálida paixão que emanava de si. (10-4-26)
 



 
 
2.    VERTIGENS   





Durante três dias Pio esteve inerte, com febres altíssimas
alternadas com delírios, em que chamava por Eyelo, misturando
latim ao português, e recitando os Cânticos e poemas medievais,
e seus olhos cegos buscavam a figura amada sem encontrar,
e aos poucos ele se deu conta do que lhe haviam feito, e sentiu
uma profunda tristeza, porque a perda da visão o impedia
de contemplar a beleza daquela a quem amava, e ele a tocava
 
com as mãos, com suprema delicadeza, e dizia, “Circa mea pectora
multa sunt suspiria, de tua pulchritudine que me ledunt misere![3]”,
e ela respondia, “Vellett Deus, vallent Dii, quod mente proposui,
ut eius virginea reserassem vincula![4]”, e eles gemiam em conjunto,
Tui lucent oculi, sicut solis radii, sicut splendor fulguris lucens
donat tenebris![5]”, e Eyelo o cobria de beijos, com cuidado
para não tocar seus lábios feridos, e Pio sentia por ela um amor
 
tão grande, que pensava que nem a Deus tanto havia ele
oferecido, e remoía-se pensando no pecado de dedicar
a um afeto deste mundo tanto carinho, mas sentia por dentro
que jamais ele seria capaz de substituir o amor por Eyelo
por nada que sentisse nesse mundo ou no outro, e por outro lado
agradecia a Deus por existir tamanho amor, ainda que por uma
de suas criaturas, mas consolava-se pensando que Eyelo
representava o que de melhor Deus fazia, que era criar o belo,
o bom e o perfeito, e espargi-lo por esse tristíssimo mundo. (11-4-26)
 
 




3.    NOTÍCIAS DA CAPITAL  





Mas Pio recuperou-se aos poucos, e sentia-se mais forte
a cada dia, e ao cabo de um mês levantou-se, e perguntou
por Grilo, a quem havia encarregado de levar o relatório
para a Arquidiocese, pois tinha certeza de que os poderosos
da vila haviam de fazer de tudo impedi-lo, como aconteceu
de fato, e ficou preocupado em saber que as duas mulheres
não tinham dele nenhuma notícia, e isso durou ainda
 
alguns dias, ao final dos quais Grilo apontou na curva da estrada
e Tchissola correu para ele com exultante alegria, e se abraçaram,
e Grilo veio correndo ao Padre perguntando o que havia acontecido,
e sabendo dos fatos, retirou da bolsa um documento, no qual
a Diocese e o Governo determinavam o envio de uma tropa
 
para prender os responsáveis pelos roubos e desvios, e agora
ainda mais agravado pela tentativa de assassinato de Pio,
e então Grilo abraçou o amigo e companheiro, emocionado
com seu sacrifício, e lançou um olhar agradecido a Eyelo, que
enrubesceu, mas também demonstrou alegria de que a justiça
 
fosse assim feita, e que os criminosos pagassem seu malfeito,
e que Pio fosse vingado pelo que lhe fizeram, e este manifestou
agrado e alívio com o desenlace, e deu outra vez as boas-vindas
a Grilo, que tão bem se desincumbira de sua tarefa arriscada,
entregando às autoridades da Capital o relatório assinado e escrito,
 
e então lhe perguntou a respeito do bispo, e lhe foi dito que,
pelo contado, seria preciso que se apresentassem testemunhas
dos abusos cometidos, e que jurassem dizer a verdade, coisa
que não seria difícil, dado o grande número de escravas da casa
que Dom Bernardo havia forçado, violentado e perseguido,
 
e, quanto à sua loucura, certamente ela o impediria de seguir
com suas funções episcopais, e ele seria excomungado
expulso e destituído, e a Arquidiocese haveria de enviar
um novo Bispo, que fosse pessoa íntegra e de bons princípios,
e que, além do mais, seria mantida doravante uma vigia constante
sobre os acontecimentos na região, para evitar a volta do vício. (11-4-26)
 




 
4.    A FIGUEIRA SECA  





Depois de algum tempo, houve movimento na vila,
e Grilo foi até lá e voltou com a notícia de que a guarda
enviada da Capital havia levados presos todos os bandidos,
e que haviam sido nomeados novos Alcaide, Sargento-Mór,
Juízes e outros cargos administrativos, bem como designados
Interventores, e os proprietários de minas e fazendas
envolvidos na trama sinistra haviam perdido seus bens,
 
e que o senhor Bispo fôra destituído e levado a um asilo
de alienados, e um novo Bispo havia sido nomeado, chamado
Dom Peregrino da Unção, homem de confiança do Arcebispado,
e logo saiu da vila o cortejo com os presos, mas Dom Bernardo
havia desaparecido, e ninguém conhecia seu paradeiro, desde
que o próprio Padre Pio se fôra levando os documentos
que selaram seu destino, e Tchissola e Eyelo se preocuparam
 
com isso, imaginando que ele viria buscar vingança, mas Pio
tranquilizou-as, dizendo que o pobre homem estava fora
do seu juízo, e que não representava perigo algum, e que,
de qualquer modo, ele e Grilo estariam ali para defendê-las
em caso de ataque, ao que Eyelo quase teve um ataque de riso,
dizendo, “Passarinho, Passarinho, meu pobre amor ceguinho,
de que me defenderás tu, meu menino? Já conheço tua bravura,
 
pois enfrentaste a vila inteira, munido apenas de teu ciso,
mas por ora, deixa-te ficar ao meu lado, aquece-te nos meus
braços, sacia-te com meus beijos, que só pra ti eu vivo,
só tua presença eu quero, só a promessa de que hás de ficar
comigo, para todo sempre, meu Passarinho querido!”, e então
Pio ficou muito sério, e falou como nunca dantes tinha dito,
 
“Eu sou o cego de nascença, pois ainda que tenha perdido
a vista já homem feito, sei agora que desde o ventre materno
nunca realmente vi o mundo, pois tudo o que contemplei
foram as sombras das realidades celestiais, tudo me parece
hoje como um teatro mal ensaiado, e na escuridão em que
estou hoje mergulhado, vejo mais luz do que nunca imaginara
 
haver, vejo ‘o céu aberto, e vejo os anjos de Deus subindo
e descendo sobre o Filho do Homem[6], vejo as almas dos homens
condensando-se para se tornarem humanas, fundindo-se
com a carne, para se tornarem um só amálgama divino-humano,
essas almas que desceram ao mundo e agora sobem em Cristo,
 
esse céu aberto, que já não é um instante nem uma promessa,
mas é um estado permanente, vejo o Filho do Homem,
o mediador entre o Céu e a terra, o que une o Céu e a terra,
a matéria com o Espírito, e que sentar-se-á à direta do Pai,
à espera de que toda a Humanidade a ele chegue, até o dia
do Juízo, quando então estará no Trono, depois que o último
homem tenha subido”, e, pondo-se de pé, com os olhos vazios
 
fitos no céu, prosseguiu, “Já não sou a figueira seca, a que dá
sombra, mas não dá frutos, já não sou o homem estéril, que tem
só a aparência, sem conteúdo, e hoje sei, porque vejo no escuro
iluminado de meu coração, que Deus nos deu uma lei secreta,
que se esconde no mundo corporal e contém uma verdade
oculta, pois não poderíamos aceitar a verdade nua, que é assim
coberta porque nossa ignorância nos impossibilita enxergar
 
as coisas noéticas, as formas desse mundo criado, que são
sagradas e contêm o sagrado, e foi por isso que Deus veio
ao mundo na carne, por isso ele tomou a forma humana,
transportando nossa natureza para a condição imaterial,
gnóstica e de adoração, que é, ao fim e ao cabo, a conexão
corpórea natural com Deus, a nossa existência total,
nossa vida conectada à Trindade, pelos séculos, amém!”. (11-4-26)
 
 
 


 
5.    VEM E VÈ  





“Essa luz que agora vejo, Eyelo, minha amada Pureza,
está muito além da luz mortal da natureza, pois essa luz
é aquela da qual o próprio Deus disse “Faça-se”, antes
de que qualquer coisa houvesse sido criada, e essa luz
apresenta-se à minha alma como fazendo parte dela,
 
como algo que a constitui e me constitui, e essa luz
é a luz a que chamam “noética”, a luz incriada, anterior
ao mundo, a luz inacessível onde Deus habita, e nela
vejo a mão de Cristo estendida, e ele me diz “Vem e vê[7]”,
como se eu houvesse lhe perguntado, “Senhor, onde moras?[8]”,
 
e só essa resposta é suficiente para mover-me daqui
a esse outro mundo paralelo, onde não alcança a nossa
ciência, onde não importa a argúcia humana, esse mundo
resumido inteiramente em duas palavras, “Vem e vê”, pois
agora sei que Deus é a experiência de Deus, pois na noite
dessa cegueira, que me acometeu de forma tão brutal,
 
eu clamei “Senhor! Senhor!”, quando vi sua sombra
que passava, e ele voltou-se para mim, dizendo,
“Que procuras?”, e então eu o segui e vi onde Jesus mora,
e comecei a viver com ele nesse mesmo dia, e – lembro
agora – eram mais ou menos quatro horas da tarde[9],
e então, minha amada Pureza, ouvi tua voz me chamando,
 
‘Passarinho!’, e eu soube que era eu mesmo, não mais
o Padre Pio, mas essa pessoa que tu criaste em tua mente,
que acalentaste em teu coração, e que reconheceste
ao me ver, quando nem eu mesmo sabia que viria a ser,
e por isso, Eyelo, quero-te como quero a Deus, só que
mais próxima de minha alma humana, e de ti faço essa
ponte, como me mostrou Cristo, pois onde começa o amor
 
divino, há sempre uma centelha do amor humano, e assim
eu te digo, vem comigo, Ele te espera, como a mim o fez,
dizendo, ‘Depressa, tragam a melhor túnica para vestir
essa minha filha, e coloquem um anel no seu dedo e sandálias
nos seus pés, peguem o novilho gordo e o matem, pois
vamos fazer um banquete porque esta minha filha estava morta,
e tornou a viver; estava perdida, e foi encontrada[10]’, vem,
 
pois eu te digo, ‘encontrei aquele de quem Moisés escreveu
na Lei e também os profetas: é Jesus de Nazaré, o filho
de José’, assim mesmo, simplesmente Jesus de Nazaré,
o filho de José, com quem nos sentávamos a conversar
sem a suspeita de que nos pudesse conduzir tão alto,
e pensávamos, ‘De Nazaré pode sair coisa boa?’, e eu
te digo agora, Eyelo, meu amor, ‘Venha, e você verá’. (12-4-26)
 



 
6.   MINHA AMADA PUREZA   





“Pois eu perguntei a Ele, ‘És aquele que há de vir,
ou devemos esperar outro?[11], e Ele me respondeu,
veja por si mesmo, pois ‘Os cegos recuperam a vista,
os paralíticos andam, os leprosos são purificados,
os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres
é anunciada a Boa Nova[12]’, e entendi que era de mim
mesmo que Ele falava por figuras, e então me dei conta
 
da frivolidade dos homens e de seus pensamentos
virtuosos ou tortuosos, pois ‘Com quem eu vou comparar
esta geração? São como crianças sentadas nas praças,
que se dirigem aos colegas, e dizem: ‘Tocamos flauta
e vocês não dançaram, cantamos uma música triste
e vocês não bateram no peito’. Veio João, que não come
nem bebe, e disseram: ‘Ele está com um demônio’. Veio
o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Ele
é um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos
e dos pecadores’. Mas, a sabedoria foi justificada por suas obras[13]’,
 
e que não se pense que há em mim qualquer desprezo
pelos homens desse mundo, apenas estou no mundo,
mas não sou do mundo, e digo, ‘Eu te louvo, Pai, Senhor
do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios
e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos[14]’, e me atenho
à promessa de Cristo, quando disse, ‘Agora eu vou para junto
de ti. Entretanto, continuo a dizer essas coisas neste mundo,
para que eles possuam toda a minha alegria. Eu dei a eles
a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem
ao mundo, como eu não pertenço ao mundo. Não te peço
 
para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do Maligno.
Eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço
ao mundo. Consagra-os com a verdade: a verdade é a tua palavra.
Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os envio
ao mundo. Em favor deles eu me consagro, a fim de que também
eles sejam consagrados com a verdade’, e assim, Eyelo,
 
eu repito, ‘Vire-se, vire-se, Sulamita, vou subir à palmeira
para colher seus frutos![15]’”, e Eyelo respondeu,
O meu amado desceu ao seu jardim, aos terrenos
das balsameiras, foi pastorear nos jardins e colher
açucenas. Eu sou do meu amado, e o meu amado
é meu, o pastor das açucenas![16], e Pio concluiu, cheio
de alegria, “Já vim ao meu jardim, minha irmã,
 
noiva minha, colhi minha mirra e meu bálsamo,
comi meu favo de mel, bebi meu vinho e meu leite.
Comam e bebam, companheiros, embriaguem-se,
meus caros amigos![17]”, e levantou-se, dizendo, “Irmãos,
fui abençoado por vos conhecer, e a Deus agradeço
cada minuto que tenho passado ao seu lado, mas
 
agora sinto que é chegada a hora, em que devo
me consagrar inteiramente à missão que me foi
confiada, não pela Arquidiocese, que considero
mais do que cumprida, mas a missão de Cristo,
e devo pregar Sua Palavra, nos termos em que
as tenho entendido, loucura para os gregos.
escândalo para os judeus, mas a verdadeira Palavra,
essa que ele revelou aos pequeninos, pois, como Ele
próprio disse, ‘Em verdade, em verdade vos digo,
 
ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nasce
da água e do Espírito. Quem nasce da carne é carne,
quem nasce do Espírito é espírito. Não se espante
se eu digo que é preciso vocês nascerem do alto.
O vento sopra onde quer, você ouve o barulho,
mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai.
Acontece a mesma coisa com quem nasceu do Espírito[18]
e assim, amigos Tchissola e Grilo, e minha amada
Pureza, Eyelo, a quem mais do que tudo estimo,
há um caminho aberto à minha frente, e sinto que não
há outra opção para esse servo de Deus, senão segui-lo”. (12-4-26)

 



[1] Cântico dos Cânticos, 4: 1-3.

[2] Cântico dos Cânticos, 5: 3-6.

[3] Carmina Burana, Circa Mea Pectora (“Junto ao meu peito são muitos os suspiros, por causa da tua beleza, que me fere miseravelmente”).

[4] Ibid. (“Queira Deus, queiram os deuses, que de tua virgindade eu possa romper as chaves”).

[5] Ibid. (“Teus olhos brilhantes como raios de sol, como um esplendor fulgurante, dão a luz às trevas”).

[6] João 1: 51.

[7] João 1: 39.

[8] Ibid.

[9] Ibid.

[10] Lucas 15: 22-24.

[11] Mateus 11: 3.

[12] Mateus 11: 5.

[13] Mateus 11: 16-19.

[14] Mateus 11: 25.

[15] Cântico dos Cânticos, 7: 1, 9.

[16] Ibid. 6: 2.

[17] Ibid. 5: 1.

[18] João 3: 5-8.

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