34. VIDA DE ANTÔNIA - PARTE 10: POST SCRIPTUM - 10.5. AS SANTAS

11.5. AS SANTAS



Onde as duas mulheres prosseguem em sua caminhada pela floresta e acabam por chegar ao rancho onde Antônia vivera com Sumé. Entre as lembranças daqueles tempos as duas moças descobrem o amor mútuo que as aproximam indelevelmente.



 

1. AS SANTAS ABRAÇADAS





Eulália e Antônia permaneceram algum tempo
paradas, olhando uma para a outra com olhos
muito abertos e espantados, e então, de repente,
caíram ambas na risada, rindo alto, às gargalhadas,
até que lágrimas escorressem de seus olhos,
e o fôlego ficasse cortado, e aos poucos
 
se recompuseram, e disseram-se, “Irmã! Então
somos santas! Olhe para mim! Veja essa auréola,
veja essas asas!”, ao que a outra respondia,
“Já me sinto ficando branca! Veja meus olhos,
estão azuis, e meus cabelos louros caem em cachos
até a minha cintura!”, e a primeira falava,
 
“E essas roupas? Já viu alvura mais imaculada?”,
e a segunda retorquia, “E essas sandálias, feitas
de couro fino com fivelas de prata!”, e voltavam
a rir a mais não poder, e rindo se abraçavam,
e abraçadas se despiram, e despidas correram
ao riacho, e entraram na água aos pulos, e saltavam
como peixinhos, e se tocavam, e assim ficaram
 
até o anoitecer, e então reanimaram o fogo,
e sentaram-se perto dele, e aconchegaram-se,
e cobriram-se com suas velhas roupas, e assim
adormeceram, e sonharam com anjos que tocavam
harpas e trombetas, e estiveram assim por toda a noite,
 
e ainda estavam assim quando veio a madrugada,
e o sol se levantou, iluminando a clareira,
fazendo cantar os passarinhos, e despejando
seus primeiros raios sobre as duas mulheres abraçadas. (2-1-26)
 





2. O SANTO NÃO SABE QUE É SANTO






O santo não sabe que é santo, não sabe,
o puro não sabe que é puro, não sabe,
seus olhos estão voltados para outra coisa,
e é fora de seu “si” imediato que se coloca
a atenção de seus sentidos, mas esse “fora”
 
é um “dentro”, pois é lá que reside aquele
de quem Paulo dizia, “já não sou eu”,
e talvez venha daí essa alegria, a leveza
que faz do puro a face da pureza, a face
simples e direta, sem a oscilação
que caracteriza a humana natureza,
 
que pende entre o céu e o abismo, sem nunca
encontrar descanso, porque não sabe
quem é, onde é, para onde vai, e segue
cambaleando entre o bem e o mal, e assim
o verdadeiro bom, o que não tem maldade,
 
não sabe que é bom, porque a nada o bem
se compara, enquanto que o mau sabe
– e como sabe! – de sua própria maldade,
pois o mal é uma ausência, e o mau sabe
muito bem o que lhe falta. (22-1-26)
 




3. PROVAI E VEDE






“Estou com fome”, disse Eulália, “mas com uma fome
que parece que nada sacia, uma fome de não-sei-quê,
como um vazio, não no estômago, mas no meu ser
inteiro, uma fome da alma – embora eu aceite um peixinho
para encher momentaneamente a barriga...”, e dizendo isso
Eulália sentou-se junto à fogueira, mexendo nas brasas
e colocando sobre elas o alimento para seu corpo,
também ele feito de matéria, essa mesma matéria
do mundo, dado à humanidade por Deus, para que
com Ele comunguemos, para que o Amor divino
se torne para nós vida e alimento, e que toda a Criação
seja o símbolo de Sua presença e sabedoria, seu amor
e revelação: “Provai e vede que o Senhor é bom”.
 
“Deus abençoou o mundo, abençoou o homem,
abençoou o sétimo dia (ou seja, o tempo), e isso significa
que Ele preencheu tudo o que existe com Seu amor
e bondade, que ele tornou tudo ‘muito bom’ ”,
e por isso Lhe agradecemos, por isso O adoramos,
por isso fomos feitos sacerdotes, pois, “ao preencher o mundo
com essa eucaristia, ele transforma nossa vida, essa vida
que recebemos do mundo, em vida em Deus, em comunhão
com Ele, pois o mundo foi criado como “matéria”,
como o material para a eucaristia que abarca a tudo,
e o homem foi criado como o sacerdote desse sacramento cósmico ”.
 
A diferença do fruto proibido, razão de nossa Queda,
estava apenas em que ele não nos fôra oferecido por Deus,
como todo o resto, mas que o tomamos para nós,
como um fruto em si, cujo comer era uma comunhão,
não com Deus, mas apenas conosco mesmos, a imagem
de um mundo que só ama a si próprio, de uma vida
considerada como um fim em si mesma, não como
algo transparente em relação a Deus, e por isso a Queda,
vista como esse amor sem transcendência, corrói
o mundo todo, e mesmo a religião desse mundo é impotente,
por ter aprisionado Deus na esfera do apenas “sagrado”,
retirando-o de sua realidade completa, natural e plena.
 
“O homem ainda ama, ele ainda tem fome, mas seu amor
e sua dependência se referem exclusivamente ao mundo
em si, e ele não sabe sequer que respirar pode se tornar
uma comunhão com Deus, ele não percebe que comer
implica receber de Deus a vida, e não apenas no sentido físico,
ele esquece que o mundo, o ar que ele respira e o alimento
 que come não podem trazer-lhe a vida por si sós,
mas apenas na medida em que são recebidos e aceitos
em nome de Deus, em Deus, como portadores do dom
divino da vida, e que Por si mesmas, essas coisas
só podem produzir a aparência da vida ”.
 
Assim, o pecado original consistiu em que o homem
tenha deixado de ter fome de Deus, e apenas de Deus,
mas sim em que ele deixou de ver que toda sua vida
depende de que o mundo todo seja como um sacramento
de comunhão com Deus, e dessa forma o pecado
não consistiu em que o homem tenha negligenciado
sua função sacerdotal e religiosa, mas que ele passou
a pensar em Deus em termos de mera religião, isso é,
opondo a vida real, a vida do mundo como tal, a Ele.




 

4. A SAMARITANA




“Senhor – disse a Samaritana – vejo que és profeta.
Nossos pais adoraram na montanha; mas tu dizes
que é em Jerusalém que se deve adorar”. E Jesus
responde a ela: “Mulher, creia-me, virá a hora,
quando não se irá adorar ao Pai nem na montanha,
nem em Jerusalém... Mas virá a hora, e é agora,
 
quando os verdadeiros adoradores irão adorar o Pai
em espírito e verdade: pois são esses os adoradores
que o Pai procura”, e nessas palavras Jesus decreta
o fim de todas as religiões, de todos os templos,
de todos os altares, dos lugares “santos”,
das peregrinações – e talvez por isso os antigos
cristãos eram vistos como “ateus” pelos romanos –
 
e já não havia necessidade de que se erguessem
pesados e solenes edifícios de pedra, pois
o próprio Corpo de Cristo, o povo reunido Nele,
são o único templo verdadeiro, e em Cristo está
o fim de toda “religião”, porque Ele próprio é a resposta
para a fome que sente o homem por Deus, porque
em Cristo a vida perdida pelo homem foi devolvida a ele,
e essa Vida, que a religião antiga apenas simbolizava,
havia sido restaurada nele.
 
Tomando uma partícula do pão seco dado pelo eremita,
Antônia colocou-a na boca de Eulália, como uma Eucaristia,
e pegou outra para si mesma, e as saborearam lentamente,
e Antônia disse, após alguns minutos de silêncio,
“Comamos, Eulália, pois nesse alimento tão banal
está o universo inteiro, e celebremos e agradeçamos
a Deus, que nos fez Seus templos, e alegremo-nos,
pois não há no mundo o que possa nos separar
de seu Amor, esse Amor com que fomos feitas,
esse Amor que nos preenche, e que dá sabor
ao vinho, ao pão e ao peixe, esse Amor que se estampa
em cada coisa, que dá sentido à existência, esse Amor
que une a matéria de que fomos feitas à Sua essência”. (22-1-26)



 


 5. NÃO SOU NADA, NUNCA SEREI NADA




 
Antônia e Eulália caminhavam apressadamente
na noite escura e sem lua, conduzindo um grupo
de pretas e pretos escravizados que acabavam
de libertar de suas correntes nas senzalas
da Fazenda Bom Jesus, para levá-los em segurança
ao trilheiro que os levaria além, muito além,
até o quilombo misterioso da Serra dos Contos,
que ninguém sabia onde ficava, só as águas
do ribeiro que ali nascia, e que era preciso
seguir ao contrário, e atrás de si vinham
os homens do fazendeiro com seus cachorros,
embora mantivessem prudente distância,
devido às lendas que cercavam as duas mulheres,
e que nenhum deles gostaria de conhecer de fato.
 
Após algumas horas de caminhada chegaram
ao riacho, e se despediram, e foram cada qual
pro seu lado, com grande alívio, e Eulália dizia
a Antônia, “Santo Deus!, parece que não importa
quanta gente libertarmos, sempre haverá mais,
e muito mais em cativeiro, e chegarão navios,
e haverá leis que lhes amarrem os destinos,
e seremos sempre nós duas, pobres mulheres,
a arriscar tudo por essa gente, até o dia
em que nos peguem, e nos levem à força,
e nos coloquem no tronco, para sofrermos
toda espécie de dor, toda sorte de torturas!”,
 
e recitou, como um poeta dali a mil anos,
“Oh!, irmã, não sou nada, nunca serei nada,
não posso querer ser nada, e no entanto,
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo! ”,
ao que Antônia lhe respondeu, “Amada irmã,
olhe que não é que esse mundo não possa ser
melhorado – e nele, justamente, trabalhamos
paz, pela justiça, pela liberdade... Mas, ainda que
ele possa ser melhorado, ele jamais se tornará
o lugar pretendido por Deus, pois, se nossa fé cristã
não condena o mundo, sabemos que o mundo
condenou a si mesmo quando, no Calvário,
quando condenou Aquele que era a sua própria verdade,
pois ‘Ele era o mundo, o mundo foi feito por ele,
e o mundo não o conheceu ’.” 
 
“Nós já fomos derrotadas! Lutamos apenas
para seguirmos coerentes com nossa própria verdade ,
e, se vencermos, é porque somos da mesma espécie
desse mundo condenado, e por isso mesmo, irmã,
seguimos em frente, para que continuemos
perdendo a grande batalha, que será nosso prêmio
quando nos apresentarmos àquele Juiz amoroso,
Jesus Cristo, que nos espera ansioso do outro lado.” (23-1-26)
 





6. ALÉM DO HORIZONTE






“Nossa luta exterior, irmã, nem se compara
com a guerra que travamos em espírito,
para nos mantermos à tona, correndo
sempre o perigo de afundarmos na lama
de nossos instintos, inconscientes
de nosso verdadeiro destino, desprevenidas
 
ante qualquer armadilha mais ardilosa
que nos lance o inimigo, pois não há risco
maior do que relaxarmos a vigia, do que
adormecermos sobre esses louros imerecidos,
que não nos concedeu o Senhor, mas que
nos auto atribuímos, sendo que não temos
 
valor algum, que não nos tenha sido dado
como um dom, pelo qual não fizemos nada
senão sermos fieis aquele que, por fidelidade,
veio ao mundo para elevar o homem
de sua posição decadente e descaída,
ao céu amoroso da vida, esse céu
 
que já está aqui, em torno a nós, mas que
não vemos, nem capazes somos de ver,
porque ‘essa felicidade que supomos,
árvore milagrosa que sonhamos
toda arreada de dourados pomos,
existe, sim: mas nós não a alcançamos
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos’ .
 
No fundo, no fundo, buscamos além do horizonte
aquilo que, desde o princípio dos tempos,
e antes ainda, se quiser, permanece quieto
e bem escondido, mas dentro de nós: o olho
do coração, que a tudo vê, e que só desperta
para nossa consciência, pelas palavras
ardorosamente refletidas da verdadeira fé,
da oração última, da derradeiro e única prece.” (23-1-26)






7. O RANCHO NA SERRA







Antônia e Eulália prosseguiram em sua peregrinação,
libertando a gente preta em fazendas, minas e vilas,
e assim atravessaram as Gerais, depois as terras paulistas,
deixando atrás de si as lendas e histórias das irmãs negras
que não podiam ser paradas, nem vistas, de quem dizia-se
serem enfeitiçadas, e que voavam, e que eram invisíveis,
e toda sorte de histórias que, se fossem contadas,
ocupariam mais volumes do que suas próprias vidas,
 
e assim chegaram um dia à borda de uma serra,
que Antônia reconheceu imediatamente, e alegrou-se
muito, e embarafustou por um caminho lajeado,
dizendo, “O Peabiru!, o Caminho Branco!, a via
dos povos originários, que liga o litoral atlântico
às alturas inacreditáveis de Cuzco e Ollamtaytambo,
o Peabiru, que percorri com Cananéia, há tempos tantos
que já não sei quando!”, e saltava sobre as pedras
 
com uma rapidez e agilidade que fez com que Eulália
temesse por uma queda naqueles precipícios
que se escondiam entre as árvores e a relva, até que
se deteve junto a um ranchinho abandonado, desmoronando,
feito de paus e palhas, e diante dele Antônia se ajoelhou
subitamente, e chorou, chorou com uma intensidade
tão grande, que Eulália, assustada, nada mais fez
do que assistir à distância de um passo, não ousando
aproximar-se da irmã, que se debulhava em lágrimas,
 
e após algum tempo, Antônia se levantou e disse,
“Meu rancho! Meu rancho! Nesse pequeno lugar
vivi eu alguns dos melhores tempos de minha vida!
Vê, irmã, ao longe, junto ao mar, aquela vila,
que vi fundar enquanto aqui vivia, na companhia
da melhor pessoa que conheci, que me ensinou
tanta coisa e de quem tenho até hoje uma saudade
desmedida, que me corta o peito e me aquece
o coração, como se, a cada batida sua, essa pessoa
estivesse ainda aqui ao meu lado, plena e viva!”,
 
e tomando Eulália pela mão, levou-a para dentro
da minúscula choça, onde, entre o mato que crescia,
havia algumas cerâmicas quebradas, esteiras
corroídas pelo tempo, uma grande rede de fibra rasgada,
utensílios e restos de uma fogueira há muitos anos acendida,
e Antônia disse a Eulália, “Aqui vivi com Sumé, o melhor
homem do mundo, o único que me chamou pelo nome
e me viu como sou, o único diante de quem de despi,
sentindo seu olhar que não me devorava, mas que
me devolvia a mim, inteira diante dele, a sentir na pele nua
cada centímetro da brisa, cada gota de chuva, cada pingo
de sereno, Sumé que me ensinou tudo o que aprendi 
e o que eu não sei, Sumé!, Sumé!, onde andará agora?”,
  
e recitou como quem vomita um sentimento profundo,
“Sumé que me tira o ar e o fôlego, que detém
meu coração em descompasso,
Sumé, que posso alcançar com meu braço,
um homem de carne e osso, surgido diante de mim,
vindo de um passado lendário, Sumé,
Sumé!, e eu, agora, o que faço? ", e lembro-me
do que ele respondeu, rindo seu riso fácil,
 
“Sim, eu, Sumé, que vim dar a essa terra estranha
onde há gente que canta e samba sua fome,
sua sede e sua miséria, enquanto sonha
com um Deus que fizeram de retalhos,
dos pedaços de Jesus Cristo, que o mar
trouxe a essas praias, do naufrágio do Cristianismo
que já não podia ser salvo, Antônia,            
que viu tudo isso em sua própria alma,
 
Antônia, que eu hesito tocar as chagas
cicatrizadas pelo sopro do Espírito, Antônia,
que me perguntou, ‘Quem você é?’, Antônia,
que atravessou incólume o tempo e o espaço
Antônia, que faz meu peito indagar,
‘E eu, agora, o que faço?’ , oh!, como recordo
sua maneira de ser, seus cabelos que desciam
em tranças pelo seu corpo magro, seus olhos,
suas mãos que trançavam cordas forte
como aço, seus pés que percorriam essas trilhas
como se fossem a sala de uma casa construída
sobre as nuvens, Sumé, e eu, agora, o que faço?”,
 
e Antônia ria e chorava, e com as mãos tremendo
arrumava a choupana, arrancava o mato, ajuntava
os cacos de um pote aqui, acolá um jarro,
e Eulália se pôs a ajudá-la, e assim estiveram
até o cair da noite, quando exausta Antônia
desabou sobre o chão varrido, e adormeceu
profundamente, sem dizer palavra. (24-1-26)
 




8. O AMOR






Ao despertar, Antônia viu Eulália sentada
diante de si, e entre elas havia frutas
e água fresca que repousava no fragmento
de jarra que encontraram na noite passada,
e Antônia empertigou-se, recompondo-se
e agradecendo a Deus e à irmã pelo alimento,
e comeram as duas em silêncio, e Eulália,
não sabendo como introduzir o assunto,
perguntou abruptamente, “Você estava
apaixonada por ele?”, e Antônia assustou-se,
como quem volta de um sonho, e falou,
 
“Sumé, Sumé, sinto tanta falta dele! Será
que ele ainda se lembra de mim? Tanto tempo
atrás vivemos aqui, ele e eu, e dormíamos
abraçados, nessa mesma rede, e ele me cobria
com seu manto, e me segredava histórias
dos anjos, e me contou toda sua vida,
Sumé, de quem você me pergunta se fui eu
apaixonada, e eu lhe respondo, irmã minha,
ainda que soe incrédulo, como definir o que sentimos
por um homem que viveu dezesseis séculos?,
 
que surgiu à minha frente, vindo do nada,
que sabia tudo de mim, antes de que eu fosse
perguntada, Sumé, irmã minha, que, se lhe contar,
prometa-me não rir-se de mim, essa amiga
que de si não sabe nada, mas que, sim, sim,
posso lhe afirmar, estive e estarei sempre por ele
completamente apaixonada”, e Antônia contou
à amiga toda a história que se passara naquela serra,
entre o mar e o planalto que ondulava de morros,
 
e de como o homem santo lhe havia ensinado
a orar com o coração, e lhe apresentara a luz
com que Cristo brilhara no Tabor, e contou-lhe
as coisas que aprendera, em sua vida de milênios,
e de como um belo dia se retirara para a mata ,
e de como Antônia nunca mais voltara a vê-lo,
e de como, ao cabo de alguns dias, se sentiu
mais uma vez transportada, até a clareira da floresta
onde mais uma vez o destino se apresentava a ela,
com suas tramas inesperadas, absurdas, inescapáveis,
e a sua história ali outra vez recomeçava, naquele instante
em que a encontrou Eulália, entre perplexa e espantada.
 
E as duas irmãs tocaram-se os rostos, as mãos e os corpos,
e sobre a esteira que Sumé trançara, como se fosse para elas,
beijaram-se com a volúpia do amor, como se nada mais houvesse
a viver, do que estarem ali, as duas, completamente apaixonadas. (24-1-26)

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